Nota 4 de 5
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Resident Evil por Zach Cregger: A prova de que a fidelidade vai além do lore

Zach Cregger na premiere de Resident Evil

Quando Zach Cregger anunciou que seu reboot de Resident Evil traria uma história original — contrariando a expectativa do público por uma adaptação literal do material base —, uma onda de desconfiança e frustração tomou conta dos fãs. No entanto, a entrega final não apenas reverteu o ceticismo inicial, mas estabeleceu um novo padrão de qualidade para adaptações de videogames nos cinemas.

Uma nova perspectiva em Raccoon City

Bryan em Resident Evil

A grande proposta de Cregger nesta adaptação foi explorar o universo estabelecido de Resident Evil sob a ótica de um personagem inédito. O fio condutor da trama é Bryan (Austin Abrams), um motorista que trabalha realizando o transporte de órgãos para hospitais.

Conforme conduz o espectador em sua jornada até Raccoon City, a narrativa assume uma estrutura que se aproxima de um spin-off ou de um universo paralelo ao dos jogos. Diferente da obra anterior do diretor, A Hora do Mal (Weapons), que fragmentava a história a partir de múltiplos pontos de vista, a narrativa aqui permanece estritamente atrelada à perspectiva de Bryan.

O protagonista funciona quase como um avatar de videogame sendo guiado por um jogador que ainda aprende os comandos. Sua travessia até a cidade simula uma missão principal, enquanto os empecilhos e desvios ao longo do trajeto operam como missões secundárias. Essa perspicácia de direção e roteiro evidencia o cuidado técnico em manter a conexão com a essência dos jogos, sem depender exclusivamente da cronologia oficial.

Fotografia e a simulação de uma gameplay

Outro fator determinante para a imersão é a fotografia assinada por Dariusz Wolski. O trabalho de iluminação e o uso estratégico de sombras criam ambientes profundamente opressores e intimidadores.

A escolha dos ângulos de câmera reforça constantemente a linguagem dos videogames:

  • Câmera em primeira pessoa: Utilizada em momentos pontuais para aumentar a claustrofobia.
  • Câmera em terceira pessoa: Alterna entre enquadramentos bem fechados atrás do protagonista e planos abertos para exploração visual.
  • Luzes e Sombras: A projeção de luz constrói cenários que escondem eraste eggs visuais sutis para os fãs mais atentos.

Essa combinação torna a fotografia deste longa o trabalho visual mais dinâmico e refinado de toda a filmografia de Cregger.

Bryan armado em Resident Evil
"O protagonista funciona quase como um avatar de videogame sendo guiado por um jogador que ainda aprende os comandos."

Ritmo, trilha sonora e o alívio cômico

A trilha sonora desempenha um papel fundamental ao ditar o ritmo frenético da narrativa. Ela conduz a tensão com precisão, potencializando os momentos de jump scare e gerenciando as transições para o alívio cômico.

Embora o tom de humor seja utilizado em menor escala do que em A Hora do Mal, a sua presença ainda é marcante. Ainda que a ausência total de piadas pudesse favorecer um tom mais denso de terror puro, as inserções cômicas não chegam a comprometer o clima de ameaça ou desvalorizar a narrativa, funcionando como uma válvula de escape divertida para parte da audiência.

A escalada de tensão e o arco do protagonista

Munição em resident Evil

A jornada de Bryan é pautada por uma constante escalada de bizarrice e perigo. O roteiro dá pouco tempo para o protagonista assimilar o horror ao seu redor, encadeando situações limítrofes uma após a outra. Os raros momentos de pausa são aproveitados para desenvolver o cenário e contextualizar as ações do personagem.

A própria exploração dos cenários reproduz hábitos clássicos dos jogadores: em determinado momento, Bryan decide instintivamente vasculhar as gavetas de uma casa à procura de munição. Paralelamente ao terror visceral, o filme sustenta uma camada temática sobre maturidade e aceitação da paternidade, dando profundidade ao arco de Bryan.

O veredito: o melhor filme de Resident Evil no cinema

Zach Cregger demonstra capacidade de se reinventar sem renunciar à sua identidade autoral. Desde as cenas iniciais, a estética e o estilo do diretor estão presentes, resultando em um filme mais gráfico, brutal e criativo do que seus trabalhos anteriores.

Ao contrário da abordagem focada na ação espetacularizada de Paul W. S. Anderson, Cregger constrói um terror mais atmosférico e funcional. Resident Evil se consolida não apenas como o melhor filme a carregar o título da franquia, mas também como o ápice da carreira de seu diretor — provando que traduzir videogames para o cinema não exige depender de fanservice ostensivo ou repetição cega da mitologia original.

Leia também:

Sobre o filme:

Capa do filme Resident Evil (2006)

Resident Evil

O mensageiro médico Bryan involuntariamente se vê lutando pela sobrevivência enquanto uma noite fatídica e horrível entra em colapso em torno dele no caos.



2 respostas a “Crítica: Resident Evil (2026) – Como o novo reboot acertou ao focar na essência das gameplays”

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