O Curta Sensorial de Carolina Markowicz

Uma obra curta, mas capaz de permanecer na mente do espectador ao longo de todo o dia. Namoro à Distância entrega uma narrativa bizarra, provocativa e absurdamente envolvente.

Nota 4 1/2

Uma Premissa Inusitada e Eficiente

Dirigido e roteirizado por Carolina Markowicz, o curta-metragem nos apresenta à história inusitada de uma imigrante que se muda para o Brasil com um objetivo muito específico: integrar um grupo de pessoas unidas por um desejo sexual comum — a atração por alienígenas.

O grupo estabelece contato com esses seres em Varginha, famosa cidade do interior de Minas Gerais. Nas ligações, os sons emitidos pelos extraterrestres tornam-se o estímulo sonoro central para a masturbação e a fantasia dos participantes.

Apesar de ser um curta de rápida duração, o roteiro é ágil, inteligente e profundamente eficiente. Carolina Markowicz não se acomoda na bizarrice do conceito; pelo contrário, constrói uma atmosfera que estimula a imaginação do público a ir muito além do que é explicitamente mostrado na tela — espelhando o próprio processo do protagonista ao criar suas conexões diárias.

Neutralidade e Experiência Sensorial

Claquete e caixa de som

Um dos maiores acertos do roteiro e da direção é a isenção moral. A obra não toma partido, não faz julgamentos de valor e evita se comportar como um estudo sociológico ou comportamental pré-fabricado. O papel do filme é expor essa realidade única e permitir que o espectador tire suas próprias conclusões.

Essa condução narrativa é enriquecida por escolhas técnicas bastante conscientes:

  • Direção de Fotografia e Montagem: Planos estrategicamente fechados ou excessivamente abertos revelam muito pouco do aspecto físico dos personagens e dos ambientes, mantendo o mistério no ar.
  • Sonoridade: A narração marcante de Matías Singer, aliada a uma trilha sonora envolvente, transforma o filme em uma experiência fortemente sensorial.
  • Animações Sobrepostas: Ilustrações que lembram rabiscos feitos à mão sobrepõem as cenas rodadas. Esse recurso visual traduz graficamente a psique do protagonista e se consolida como um dos pontos altos do curta.

Vale a Pena Assistir?

Namoro à Distância quebra expectativas ao elucidar um tema tão específico e fora do comum. Trata-se de uma obra intrigante do primeiro ao último segundo.

O único real defeito do filme reside em sua brevidade: cinco minutos deixam um gosto forte de “quero mais”. Fica a torcida para que premissas tão audaciosas quanto essa ganhem espaço e orçamento para serem exploradas no formato de longa-metragem.

Capa do filme Namoro à Distância

Namoro à Distância

Carolina Markowicz

Roteiro: Carolina Markowickz

2017

Brasil

Inglês

Elenco: Matías Singer

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3 respostas a “Crítica: Namoro à Distância (2017)”

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